🎸 Aula 16: Fixando o clichê ii-V-I nos 12 tons com ritmos brasileiros

Na Aula 15, a gente trocou uma ideia sobre os 5 clichês harmônicos que são a cara da música brasileira: VI7, ii-V-I, SubV7, I-iv e o baixo cromático descendente.

Por isso, hoje o papo é reto:
Vamos botar a mão no violão e fixar um desses clichês – o ii-V-I – em diferentes aberturas de acordes, nos 12 tons, com ritmos brasileiros sorteados na hora.

Portanto, Se você ainda não viu a aula 15, volta lá depois. Mas se já tá ligado, bora botar a mão na massa.


🎯 O que é o clichê ii-V-I e por que ele é tão importante?

ii-V-I é a cadência mais comum da harmonia tonal ocidental – e, claro, da música brasileira.

Assim, ela funciona dessa forma:

  • ii = acorde menor (com sétima menor ou 6º) → função de preparação
  • V = acorde dominante (com sétima) → função de tensão
  • I = acorde maior (ou com sétima maior) → função de repouso

No campo harmônico de Dó maior, por exemplo:

Dm7 → G7 → C7M

Esse movimento por quartas (Dm7 sobe uma quarta pra G7, que sobe uma quarta pra C7M) é o esqueleto de milhões de sambas, bossas, choros e canções.

Entretanto, na aula 16, a gente não vai estudar esse clichê no papel.
A gente vai tocar ele. Muitas vezes. Em todos os tons. Em diferentes ritmos.


🧠 O exercício: ii-V-I em 12 aberturas + roda da sorte

O método é simples e brutalmente eficaz.

📦 Materiais que você vai usar

  • Seu violão (ou qualquer instrumento harmônico)
  • As 12 aberturas de acordes para ii-V-I:

🔁 Passo a passo do exercício

  1. Escolha um tom seguindo o ciclo das quartas (ex: Dó → Fá → Si♭ → Mi♭ → Lá♭ → Ré♭ → Sol♭ → Si → Mi → Lá → Ré → Sol → volta)
  2. Toque o ii-V-I nesse tom usando uma das 12 aberturas (posições diferentes no braço)
  3. Gire a roda da sorte – ela vai sortear um ritmo brasileiro
  4. Toque a mesma progressão com o ritmo sorteado
  5. Repita para o próximo tom, com outra abertura, novo ritmo

🥁 Ritmos que podem cair na roda

  • Samba
  • Bossa nova
  • Partido alto
  • Baião
  • Ijexá
  • Choro
  • Maracatu
  • Marcha-rancho
  • Frevo

Veja, não importa se você ainda não domina o ritmo que caiu – lapide isso com o tempo.
Em resumo, o nosso foco é a harmonia, e o importante é sentir o balanço e encaixar os acordes dentro dele.


🎬 Como foi a aula na prática

Na aula 16, a gente começou só com o ritmo harmônico (batida dos acordes sem ritmo brasileiro definido). Depois, fomos para a roda da sorte de verdade.

Dividimos o exercício em três rodadas:

RodadaAndamentoFoco
LentoFixar as aberturas e a mudança de posição
MédioAdicionar o ritmo sorteado
RandomizadoFluidez e suingue brasileiro

Em cada tom, usamos uma abertura diferente – ora na região da 3ª casa, ora no meio do braço, ora com cordas soltas, ora em posições mais agudas.

O segredo é não ficar preso numa posição só.
Se você só toca ii-V-I na região da 3ª casa, seu violão vai ser pequeno.
A gente quer o braço inteiro, todas as regiões.


🔊 Variações para você levar o exercício adiante

Depois que você fizer o básico (12 tons, 12 aberturas, ritmos sorteados), tente essas variações:

  • Toque com uma backing track (ex: bateria ou percussão no tom certo)
  • Faça com um colega – um toca a harmonia, outro faz o ritmo ou o baixo
  • Use arpejos em vez de acordes cheios (ideal para instrumentos melódicos)
  • Aumente o andamento gradualmente (metrônomo ajuda)
  • Grave você mesmo – depois assista e veja onde a mão trava

📌 Tarefa de casa (sim, tem)

A sua missão depois desta aula é simples:

Sortear um tom, uma inversão/abertura do primeiro acorde e um ritmo.
Tocar.
Não precisa anotar nada – o importante é pensar na relação intervalar entre os acordes e executar com suinge brasileiro.

Se quiser, grave um trecho, poste nos stories e me marque: @reinaldonevess.


🎁 Material extra


🔚 Conclusão

Em resumo, é assim que a gente fixa clichê: na mão, no ouvido e no ritmo.

O ii-V-I não é só um conceito de teoria, é um dos principais modos de organização do tonalismo na música eurocidental que influenciou muito da música brasileira. É um movimento que precisa sair naturalmente nos seus dedos, em qualquer tom, qualquer posição, qualquer ritmo brasileiro.

Forte abraço e até a próxima!

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